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Childermas: a data medieval em que crianças eram espancadas

Os hábitos, pensamentos fantasiosos e métodos de tortura considerados perturbadores foram umas das características mais marcantes da Era Medieval, e quanto mais sabemos sobre o que aconteceu entre os séculos V e XV, mais somos surpreendidos pela habilidade que o período tinha em ser peculiar.

Segundo o Evangelho de Mateus da Bíblia cristã, Herodes, rei da Judeia, ordenou a execução de todos os meninos da vila de Belém com menos de 2 anos para evitar a vinda de um novo rei — Jesus Cristo — que acabaria com seu governo de crueldade após ouvir uma profecia revelada a ele pelos Três Reis Magos.

O episódio ficou conhecido como Massacre dos Inocentes e a Igreja fez das vítimas os primeiros mártires cristãos da História, reconhecidos como os Santos Inocentes. Mas em vez de fazer disso uma forma de meditar sobre a brutalização das crianças, os europeus medievais decidiram que todo 28 de dezembro, declarado como o Dia dos Santos Inocentes, os pais espancariam os próprios filhos. 

Assim nasceu o Childermas, a Festa dos Santos Inocentes.

Um lembrete de morte e dor

(Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)(Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)

Para alguns historiadores e folcloristas, a prática de bater em crianças pode ter existido como resquício de um antigo costume pré-cristão que envolvia expulsar espíritos malignos, problemas de saúde ou outras forças nocivas do corpo. E fazer isso naquela data foi uma maneira de lembrar as crianças da maldade de Herodes e do sofrimento de Jesus Cristo.

O dia 28 adquiriu uma conotação sombria e de má sorte porque era recheado de tensão e lágrimas – pelo menos das crianças –, por isso nada era feito, desde as celebrações de união entre casais até construções de casas, por exemplo. A superstição foi tanta que o rei Eduardo IV se recusou a ser coroado no dia 28 de dezembro.

(Fonte: CNN/Reprodução)(Fonte: CNN/Reprodução)

"Na era medieval, cada família sofreu pelo menos a morte de uma criança, então a Festa dos Santos Inocentes falava de uma experiência que quase todos compartilhavam", disse o Dr. Gary Waite, da Universidade de New Brunswick, onde ensina sobre religião, feitiçaria e o diabo na Europa moderna.

Ele reforça que as altas taxas de mortalidade infantil do período podem ter alimentado um sentimento popular de horror associado à celebração, tornando uma tarefa muito difícil para a Igreja combater essa ideia ao longo do tempo.

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