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Por que a Pedra de Roseta tem 3 tipos de escrita?

A Pedra de Roseta foi um documento fundamental para que nós pudéssemos compreender a escrita egípcia. Ela contém três textos antigos — dois egípcios e um grego — e ajudou os pesquisadores a decifrar os hieróglifos egípcios antigos. Mas por qual motivo foram incluídos três tipos diferentes de escrita nesta pedra?

A descoberta da pedra

Uma réplica da Pedra de Roseta em Rashid, no EgitoUma réplica da Pedra de Roseta em Rashid, no Egito

Por séculos nunca se soube da existência da Pedra de Roseta. Ela foi descoberta durante a invasão do Egito por Napoleão, em uma expedição militar francesa em 1799 na cidade de Rashid — Rosetta é o nome francês de Rashid.

A pedra estava enterrada e apenas uma parte sua foi localizada. Apesar disso, a mensagem esculpida em três tipos diferentes de escrita serviu de base para que historiadores pudessem compreender melhor os manuscritos deixados pelos egípcios. Além do grego antigo, a pedra possui um registro feito com hieróglifos egípcios e outro utilizando a escrita demótica egípcia — uma escrita cursiva que os egípcios usaram entre o século VII a.C. e o século V d.C.

A escrita demótica egípcia era usada no dia a dia, tanto na fala cotidiana quanto em documentos administrativos. Já a gramática hieroglífica imita o egípcio médio — a fase da língua egípcia associada ao período do Império Médio do Egito (2044 a.C. até 1650 a.C.).

Os 3 tipos de escrita da pedra

O motivo pelo qual a pedra tem os três tipos de escrita tem ligação com um dos generais de Alexandre, o Grande. O texto grego na pedra está ligado à dinastia ptolomaica do Egito, que foi fundada por Ptolomeu I. Alexandre conquistou o Egito em 332 a.C. e Ptolomeu I assumiu o controle do país nove anos depois (a Cleópatra  foi a última governante da linha ptolomaica).

Porém, o texto não está relacionado ao Ptolomeu I, mas a seu descendente Ptolomeu V. A mensagem na Pedra de Roseta foi provavelmente escrita por um conselho de sacerdotes e os textos foram esculpidos em 196 a.C., durante o nono ano do reinado de Ptolomeu V e seguiu um padrão anterior para pronunciamentos oficiais. 

“Decretos trilíngues semelhantes foram promulgados antes, como os de Ptolomeu IV após a batalha de Raphia em 217 a.C., e por Ptolomeu III no decreto Canopus de 238 a.C.”, explicou Foy Scalf, pesquisador do Instituto Oriental da Universidade de Chicago. “Assim, embora tal decreto não fosse necessariamente um assunto padrão, seguia um precedente bem estabelecido”.

Durante o período ptolomaico, o egípcio médio foi usado em inscrições formais. Isso acontecia pois os escribas egípcios acreditavam que uma versão clássica de sua língua reforçava o tom de autoridade de um texto. É por esse motivo que a Pedra de Roseta conta com duas variações do egípcio, sendo uma da fala do cotidiano, enquanto a outra atribuía formalidade ao documento.

Finalmente, o grego antigo passou a ser amplamente usado no Egito antigo durante a dinastia ptolomaica. Isso fez com que fosse natural a sua escolha como o terceiro idioma da pedra. E foi através do grego que os pesquisadores puderam decifrar os hieróglifos egípcios e a escrita demótica, que são duas escritas diferentes para um mesmo idioma.

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