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Travis: o pior ataque de chipanzé de todos os tempos

O dia 16 de fevereiro de 2009 deveria ser só mais um na vida de Charla Nash, então com 50 anos, amiga íntima do casal Sandra e Jerome Harold, moradores de Stamford, Connecticut (EUA), mas provou ser o pior de todos.

Amiga do casal uma vida inteira, ela sempre manteve uma relação muito próxima com Travis, o chipanzé de estimação dos amigos, criado como um filho desde pequeno. Naquele fatídico dia, logo que Nash havia chegado na casa, foi surpreendia por mais uma das peripécias do animal, que havia escapado de casa com as chaves do carro Sandra.

Charla Nash. (Fonte: Patch/Reprodução)Charla Nash. (Fonte: Patch/Reprodução)

Em uma tentativa de atraí-lo, Nash apanhou uma boneca Tickle Me Elmo, seu brinquedo favorito, e estendeu em sua direção. Aquilo era uma tática antiga que sempre funcionava, mas o que pode ter soado diferente para o animal é que a mulher havia recentemente alterado a cor de seus cabelos, o que perturbou a mente de Travis e o fez atacá-la violentamente.

O animal de 200 quilos usou seus enormes dentes para dilacerar as mãos de Nash antes de abocanhar repetidas vezes seus lábios, pálpebras, olhos e nariz; fazendo de seu rosto uma massa de carne e sangue.

Como um filho

(Fonte: Jornal Ciência/Reprodução)(Fonte: Jornal Ciência/Reprodução)

Para interferir o ataque, Sandra Herold foi obrigada a cravar uma faca nas costas do animal, o que, em entrevista, ela lembrou que foi o mesmo que ter enfiado em si mesma.

Nascido em 21 de outubro de 1995, no complexo Missouri Chimpanzee Sanctuary Festus, de Mike e Connie Braun Casey, o primata foi separado de sua mãe, Suzy (morta a tiros durante uma fuga em 2001), e vendido ao casal Herold por US$ 50 mil. Eles o nomearam Travis em homenagem ao cantor favorito de Sandra, Travis Tritt, e o criaram como um filho em sua casa em Rock Rimmon Road.

(Fonte: New York Magazine/Reprodução)(Fonte: New York Magazine/Reprodução)

Na época, o casal possuía uma empresa de reboque e o animal costumava acompanhá-los para todo o canto, sempre se mostrando muito carismático, fazendo graça, posando para fotos e brincando com amigos, clientes e desconhecidos a sua volta. Alguns vizinhos alegavam que ele ouvia melhor do que qualquer ser humano, devido às instruções e ensinamentos passados dos Herold para ele.

Com uma criação tão próxima aos humanos, ele foi vestido como um, realizava tarefas domésticas, fazia refeições à mesa com a família e até sabia usar o computador sozinho. E foi exatamente esse carisma todo e obediência que tornou Travis uma celebridade, a princípio, local, até que fosse parar na televisão como um ator animal. Ele participou de várias propagandas de marcas famosas, incluindo a Coca-Cola, bem como foi atração principal em alguns programas de televisão, incluindo o The Maury Povich Show.

A realidade por trás

Nash anos e muitas cirurgias depois. (Fonte: Jornal do Estado MS/Reprodução)Nash anos e muitas cirurgias depois. (Fonte: Jornal do Estado MS/Reprodução)

Tratar Travis como mais do que apenas um animal de estimação era um ato de necessidade e amor. O chipanzé entrou para a família na tentativa de tapar o buraco deixado pelo único filho do casal, morto em 2000 durante um acidente de carro. Quatro anos depois, Travis foi o conforto eterno para Sandra quando ela teve que acompanhar o marido perder sua batalha contra o câncer, a deixando sozinha.

Foi um pouco antes de Jerome morrer que Travis começou a manifestar um comportamento considerado errático, provavelmente motivado pelo clima adverso do ambiente em que costumava viver, minado pela doença de um dos seus criadores.

Em outubro de 2003, ele escapou do carro e ficou sumido pela cidade depois que uma pessoa jogou lixo nele pela janela do veículo. O acontecido também atuou contra ele, fazendo o prefeito de Stamford erguer uma lei que impedia que primatas acima de 22 kg fossem tidos como animais de estimação, exigindo que os proprietários tivessem permissão legal para isso.

(Fonte: Closer Weekly/Reprodução)(Fonte: Closer Weekly/Reprodução)

Seis anos mais tarde, Sandra ligava desesperada para a polícia após Travis atacar quase mortalmente Charla Nash em sua casa. Vendo a poça de sangue que havia se tornado o rosto da amiga, ela presumiu que Travis havia dado um fim na vida dela.

Quando a polícia chegou, o chipanzé tentou entrar no carro da polícia, mas a porta estava trancada. Ele sangrava devido ao ferimento de faca nas costas, estava confuso e enfurecido, pois não conseguia entender o ataque de sua criadora.

Travis rodeou a viatura até encontrar uma porta destrancada, quebrando uma janela no processo. Sem hesitar, o policial Frank Chiafari simplesmente abriu fogo contra o animal várias vezes. Travis conseguiu apenas rastejar de volta para sua jaula, onde deitou e morreu.

A sobrevivente

(Fonte: CBS News/Reprodução)(Fonte: CBS News/Reprodução)

O estado de Charla Nash foi tão horrendo que os cirurgiões precisaram ser submetidos a sessões de terapia após passarem horas encarando o que havia sobrado da mulher. Ela teve quase todos os ossos de seu rosto quebrados, as pálpebras, nariz, mandíbula, lábios e a maior parte de seu couro cabeludo foram arrancados. Nash ficou cega, teve uma mão totalmente removida e outra deixa pela metade.

Após horas de cirurgia, a mulher foi encaminhada para um hospital em Ohio para um transplante facial completo, um tipo de procedimento ainda considerado totalmente experimental devido à gravidade de seu quadro clínico. Nash apareceu pela primeira vez em rede nacional em 11 de novembro de 2009, no antigo programa de Oprah Winfrey.

Um relatório toxicológico realizado na cabeça de Travis revelou que ele havia recebido Xanax no dia do ataque, como Sandra havia relatado à polícia, como parte da medicação para prevenção da doença de Lyme. É possível que o remédio tenha alimentado a agressividade do animal, visto que efeitos colaterais, como alucinações e manias, já foram identificados em humanos.

Sandra Herold. (Fonte: NBC/Reprodução)Sandra Herold. (Fonte: NBC/Reprodução)

Nash só conseguiu se recuperar psicologicamente, apesar de seu rosto desfigurado e de todos os problemas de saúde que contraiu, porque não consegue se lembrar de absolutamente nada do dia do ataque. "Foi me dito que a memória pode ficar escondida por anos e voltar a qualquer momento, mas espero que isso nunca aconteça", confessou ao Today

O caso da mulher contribuiu para que a medicina descobrisse mais sobre transplantes faciais experimentais, inclusive a divisão militar dos Estados Unidos, pensando nas lesões deixadas em soldados durante a guerra. Ele também abriu um longo debate sobre a criação de animais exóticos de estimação.

Em 2012, a vítima ganhou um processo de US$ 4 milhões que não chegou perto de compensar os problemas que carregará para a vida toda.

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