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Conheça a história de Moreno, o 'feiticeiro' do cangaço

O cangaceiro Lampião é uma figura lendária dentro da história do Brasil. O bando de contraventores liderados por Lampião e sua mulher, Maria Bonita, era ainda composto por alguns membros que conseguiram escapar da derrota do chefe, em uma emboscada policial em Angico, no Sergipe, em 1938. Um desses bandidos sobreviventes se chamava Antônio Ignácio da Silva, também conhecido como Moreno.

Nascido em 1909 em Tacaratu, no sertão de Pernambuco, Moreno era membro da nação indígena Pankararu. Por conta disso, ele tinha vários conhecimentos oriundos da floresta e realizava feitiços para se proteger e proteger os membros do bando.

A história de Moreno no cangaço

(Fonte: Hypeness/Reprodução)(Fonte: Hypeness/Reprodução)

Moreno sonhava inicialmente em ser soldado. No entanto, após ter sido acusado injustamente de um crime pela polícia no interior do Ceará, ele resolveu se juntar ao bando de Lampião. No grupo, ficou conhecido como "O Feiticeiro", pois era bastante místico e carregava sempre consigo um caderno com receitas, magias e orações. Além disso, Moreno fabricava símbolos (como medalhas, patuás e amuletos) que supostamente protegia os bandidos.

Uma vez, Moreno declarou ter produzido patuás tão poderosos que seriam capazes de "fechar o corpo" de seus companheiros. Ele ainda consagrou seus anéis para que eles tivessem sempre miras certeiras na hora de atirar em seus inimigos.

Para Corisco e Gato, os cangaceiros mais perigosos do grupo, Moreno teria realizado um feitiço para que eles pudessem "envultar" (ficar invisíveis) diante do perigo. Ainda assim, ele não pode proteger o chefe: o feiticeiro chegou a declarar que Lampião, por ser muito temente a Deus e devoto de Nossa Senhora, era avesso às suas magias, que eram ligadas a acordos com pequenos diabos. Mesmo assim, Moreno teria colocado um amuleto no chapéu do chefe, para dar o poder de prever o futuro.

Moreno contou que Lampião começou a tomar decisões diferentes quando começou a vestir este chapéu. No entanto, ele devolveu o amuleto ao feiticeiro, que passou a usá-lo. Curiosamente, quando Lampião foi pego e morto junto de seu bando, o líder usava um chapéu novo. Moreno teria escapado da emboscada – em que 11 cangaceiros foram assassinados – justamente por estar usando o adereço.

A velhice de Moreno

(Fonte: Hypeness/Reprodução)(Fonte: Hypeness/Reprodução)

Moreno tinha 100 anos quando morreu, em 2010, em Belo Horizonte. Ele viveu por décadas ao lado de sua esposa Durvinha, que também pertenceu ao grupo do cangaço. O casal teria guardado por setenta anos os segredos do bando – aparentemente, eles tinham medo de ser mortos e decapitados, como aconteceu com Lampião e Maria Bonita. Ao fim da vida, no entanto, eles contaram toda a sua história para um documentário.

Com o fim do cangaço, Moreno e Durvinha se estabeleceram em Minas Gerais e tiveram mais cinco filhos – o primeiro nasceu quando participavam do bando, mas foi deixado com um padre para o criar. Durvinha morreu em 2005 e o marido faleceria cinco anos depois.

Antes de morrer, Moreno ainda entregou sua caderneta mágica para pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que hoje guardam seus segredos.

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