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Imagens chocantes podem fazer alguém largar um vício?

Conforme a legislação brasileira, todos os maços de cigarros precisam ter, anexados à embalagem, uma imagem bem visível (e explícita) sobre os efeitos nocivos que eles podem causar. A ideia é clara: se as pessoas virem o que pode acontecer com elas (e provavelmente acontecerá), acabarão deixando de fumar

Mas será que, para os nossos cérebros, esta é a lógica? Ou seja, ver imagens desagradáveis de coisas que podem acontecer conosco é suficiente para desmontar um hábito ruim? Vejamos algumas explicações da ciência sobre isso.

Os efeitos das imagens desagradáveis no cérebro

(Fonte: Anvisa/Reprodução)(Fonte: Anvisa/Reprodução)

Dados de saúde pública dizem que, quando estas imagens são anexadas nas embalagens de cigarro, dobram as tentativas dos fumantes de largarem o vício. Um dos mecanismos a causar isto seria o nojo. Woo-kyoung Ahn, professor de Psicologia da Universidade de Yale, explica: “uma imagem vívida é muito mais poderosa do que apenas números abstratos. Nojo é uma emoção poderosa enraizada como uma adaptação evolutiva que nos ajuda a expulsar e evitar substâncias nocivas", declarou à revista Wired.

Junto aos seus alunos de graduação, Ahn inventou um experimento interessante: eles apresentaram imagens bem explícitas de pessoas com sintomas graves de covid-19 a pessoas que se recusavam a tomar vacina e seguir os protocolos de saúde recomendados pelas autoridades.

O que o professor observou é que as imagens repugnantes aumentaram bastante a vontade expressa daqueles sujeitos a se vacinarem - muito mais do que as imagens de médicos com máscaras ou de cidadãos recebendo vacinas. O experimento acabou gerando um artigo chamado It's time to be disgusting about covid-19 (em português, "é hora de ser nojento sobre o covid-19").

Mas a questão não é tão simples. Na verdade, estar disposto a mudar um comportamento (como considerar se vacinar ou respeitar protocolos de saúde pública) não significa, de fato, partir para a ação.

Os efeitos neurológicos do nojo

(Fonte: master1305/Getty Images)(Fonte: master1305/Getty Images)

Paul Rozin, professor de Psicologia da Universidade da Pensilvânia, diz que não há total clareza sobre como o nojo pode afetar o comportamento humano. “A maioria das pessoas é imune a quase tudo o que vê”, declarou para a Wired.

Outra pesquisa, desenvolvida pelos professores Noel Brewer, que leciona Comportamento de Saúde na UNC Gillings School of Global Public Health, e Seth Noar, do curso de Jornalismo e Mídia da UNC Hussman School, concluiu que imagens nojentas em embalagens de cigarro aumentam a chance de que os fumantes larguem o vício, mas não necessariamente mudam a avaliação sobre o risco de danos.

Ou seja, por mais que as pessoas se motivem a parar de fumar, e por vezes até façam isso, elas não creem de fato que aquilo expresso na imagem possa acontecer com elas. Agora os pesquisadores seguem com o estudo para entender melhor porque isto acontece.

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