Ciência
23/08/2024 às 20:00•2 min de leituraAtualizado em 23/08/2024 às 20:00
Hollywood costuma nos apresentar a vários temas e até criar a nossa visão sobre alguns tipos de pessoas por meio de seus filmes. Mas acontece que várias representações compreendem estereótipos que acabam generalizando alguns comportamentos e traços de personalidade.
Um exemplo disso são os filmes que trazem protagonistas que são muito inteligentes, o que os leva a serem chamados de gênios. Há várias percepções em torno deles, reiteradas pelas produções hollywoodianas, que acabam reduzindo a complexidade desses indivíduos. Vejamos quais são.
É fato que, muitas vezes, as pessoas com uma inteligência muito acima da média podem apresentar algumas lacunas em outras áreas da vida, como na parte da inteligência emocional. Mas não é verdade que necessariamente esses gênios sejam pessoas egoístas ou desagradáveis, pouco se importando com o que acontece com os outros.
O mesmo se pode dizer sobre outros aspectos ligados ao controle das emoções. No filme Gênio Indomável, o personagem de Matt Damon é um gênio da matemática que trabalha como faxineiro, pois não consegue dominar a própria agressividade. Mas achar que toda pessoa genial é assim é um estereótipo.
Algumas pessoas têm uma capacidade impressionante de memória. Mas, em si mesma, ela não é o sintoma de uma inteligência extraordinária. Inclusive, é bem comum que homens e mulheres extremamente inteligentes ajam sempre de forma meio distraída, naquele estilo de esquecer os óculos em todos os lugares. Só que, muitas vezes, a ideia contrária circulou nos filmes de Hollywood.
Há outro clichê recorrente nos filmes sobre pessoas muito inteligentes: elas são frequentemente mostradas rabiscando em papéis, vidros ou até nas paredes – como se tivessem a convicção de que suas ideias são tão brilhantes que precisam ser registradas imediatamente.
Pode-se dizer que os gênios fazem isso na mesma quantidade de vezes das pessoas tidas como "normais". É bem provável que essa seja apenas uma forma que Hollywood encontrou para tentar ilustrar em cena que estamos diante de mentes fora do comum.
Há outra ideia recorrente (e falha) repetida nos filmes: a de que as pessoas muito inteligentes são frequentemente relapsas e indisciplinadas. Elas simplesmente chegam lá e, em pouco tempo, fazem a magia acontecer.
Pense, por exemplo, no estilo de vida bon vivant de Tony Stark em Homem de Ferro. Na vida real, isso simplesmente não é verdade: os gênios trabalham tão duro, se não mais, que o resto das pessoas. Muitas vezes, seu cérebro simplesmente nunca para.
Por fim, um último clichê. É comum que os filmes mostrem que as pessoas geniais dominam várias áreas de conhecimento ao mesmo tempo, tal como um Leonardo Da Vinci da época moderna, acumulando conhecimentos que requisitariam trabalho de várias vidas. Na vida real, contudo, a probabilidade de que isso aconteça é quase nula.
Isso significaria abdicar das atividades normais do cotidiano para passar todo o tempo possível pesquisando sobre as coisas, o que não é exatamente algo fácil de acontecer. De fato, nem todo mundo pode ser um gênio renascentista.