
Ciência
25/03/2025 às 18:00•3 min de leituraAtualizado em 25/03/2025 às 18:00
A graça de um jogo de dados é essa: a cada vez que você os lança, a chance de conseguir um número é sempre a mesma. Ou seja, os resultados são totalmente aleatórios. É isso que inspira tantos jogadores a apostar em certos jogos de azar.
Mas, sentimos dizer, nem isso é uma certeza absoluta. Inclusive, há pesquisadores que defendem que o lançamento de dados segue padrões mais ou menos previsíveis. A seguir, entenda o porquê disso.
Desde que o mundo é mundo, temos essa convicção: jogar dados ou lançar uma moeda para o alto é emocionante porque a chance de que apareça certo resultado é totalmente aleatória e randômica. Mas, de acordo com os pesquisadores da Universidade Técnica de Lodz, na Polônia, não é bem assim.
Em um artigo publicado em 2012, os professores escreveram: “o lançamento de dados não é aleatório nem caótico. Do ponto de vista da teoria do sistema dinâmico, o resultado do lançamento de dados é previsível". Eles garantem que, tendo informações suficientes, é até possível prever – ou mesmo controlar – o resultado de uma jogada de dados.
O pesquisador na área da matemática Persi Diaconi, que atua como pesquisador na Universidade de Stanford, explica que tem tudo a ver com a mecânica dos lançamentos. “Quando você solta o dado da sua mão, se você realmente o está rolando, ele tem velocidade, depois velocidades angulares, e há um espaço de fase. Em que direção ele está indo, e quão rápido, e então quão rápido ele está girando em cada uma das várias direções?", escreveu em 2012.
Diaconi pontua que há 12 dimensões de parâmetros no total que descrevem as condições iniciais de um teste com dados, mas que apenas seis resultados são possíveis. Deste modo, o espaço de 12 dimensões acaba sendo dividido em seis regiões. Qualquer que seja a região em que suas condições iniciais específicas se encaixem, esse é o resultado que você vai obter.
Mas o matemático esclarece que coisas podem acontecer pelo caminho. “Pequenas mudanças nas condições iniciais, como a diferença entre sua mão e seu cérebro, fazem uma grande diferença em qual lado ele aparece porque a partição do espaço de fase é mais fina”.
Assim, o lançamento dos dados não seria exatamente aleatório, ainda que pareça assim para nós, já que fazemos o jogo tendo pouco controle das informações. Ele explicou em um artigo de 2008: “se um lançamento de dados pode ser considerado um gerador de números aleatórios, isso se deve principalmente à incapacidade do jogador de reproduzir as condições iniciais suficientemente bem para garantir trajetórias semelhantes – e não tanto por causa de uma dinâmica inerentemente fortemente caótica”.
Ao menos em teoria, então, jogar os dados não vai levar a um resultado aleatório, mas sim um possível de ser previsto caso tivéssemos acesso a dados suficientes. E se formos pensar, faz total sentido.
Mas o fato é que isso não é interessante para a maior parte das pessoas – ao menos para as que não se interessam por física. Há também vários outros elementos que entram em uma jogada, como a quantidade de furos em cada face do dado. “Um seis tem seis pontos nele. Bem, esses furos de perfuração são mais leves. Então, a face seis na verdade tem menos massa, e a face um, que é oposta, tem mais", lembrou Diaconis.
E mesmo os pequenos resquícios do processo de fabricação de dados podem ter um efeito sobre o quão aleatórios vão ser os resultados. O dado poliédrico D20, que é usado em jogos de RPG e tem 20 faces, já passou por alguns testes interessantes. Em um deles, constatou-se que a face 14 aparecia muito menos vezes do que qualquer outra.
Os autores do teste explicaram: “temos uma teoria sobre o motivo pelo qual o 14 apareceu tão raramente. Cada dado da GameScience (empresa americana que produz itens para jogos) tem um pequeno pedaço de plástico que sobressai de uma face. Esse brilho é de onde o dado foi removido do molde. Nos dados de 20 lados da GameScience, esse brilho está na face 7 – diretamente oposta ao 14".
Em resumo: não, os resultados de um jogo de dados não são aleatórios. Mas isso não quer dizer que seja fácil controlar o que vai sair deles. Melhor passar longe das roletas!
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