
Artes/cultura
30/09/2022 às 08:37•3 min de leitura
Um dos temas presentes no debate eleitoral da Globo com os candidatos à presidência foi a questão do agronegócio brasileiro. Mas por que este assunto gera tanta discussão, e é realmente importante que os planos de governo pensem sobre isso?
Primeiro de tudo, é preciso dizer que o agro é um setor econômico importante não apenas para o Brasil, mas para todos os países. Ele envolve uma cadeia de produção de alimentos que está interligada a vários outros setores, como a pecuária, a agricultura, a indústria e o comércio.
Quando se pensa em agronegócio, está se discutindo especialmente as atividades econômicas ligadas à agricultura e à pecuária. Mas é preciso lembrar que o setor, além de pensar na questão de plantio, cultivo de vegetais e manejo de animais, também lida com manejo de florestas e com o extrativismo vegetal. Por isso, suas práticas podem ter impactos fortíssimos no meio ambiente e, consequentemente, na vida de todos nós.
(Fonte: Shutterstock)
Há muitas visões sobre esta questão. Contudo, é inegável que a atividade agropecuária é fundamental para a economia brasileira. Dentro do PIB brasileiro de 2020, o agronegócio teve uma participação de 26,6%, ou seja, uma porcentagem muito alta. Em 2021, as exportações geradas por este setor beiraram a faixa dos 8 bilhões de dólares.
Vale lembrar que, quando pensamos sobre isto, não se fala apenas no aspecto alimentar, uma vez que o agronegócio impacta a economia do país como um todo. Ele gera novos empregos, estimula o desenvolvimento de novas tecnologias, criando pontes com a pesquisa científica, cria insumos para vários tipos de indústria, etc.
Contudo, todas estas benesses geradas por este setor precisam sempre ser problematizadas à luz de suas consequências, como os impactos nas questões ambientais e a participação (ou não) desta indústria na redução da fome dos próprios brasileiros.
(Fonte: Shutterstock)
A questão do agronegócio costuma envolver prioritariamente o trabalho feito por médias e grandes propriedades rurais que buscam soluções modernas e tecnológicas para aumentar sua produção. Por isso, é comum que estas empresas acabem recorrendo a práticas que nem sempre são as mais recomendadas, como o uso de agrotóxicos, a modificação de sementes e a aceleração dos ciclos da natureza.
Tais ações normalmente buscam gerar uma alta produtividade, uma vez que boa parte dos alimentos e bens produzidos pelo agronegócio visa sobretudo a exportação - diferente, por exemplo, da agricultura familiar. Por conta disso, uma das características destas grandes propriedades é a monocultura, que consiste no plantio de um único vegetal em uma parte extensa do campo.
Há muitos dados que mostram que as práticas da agricultura empresarial ocorrem às custas do desmatamento e de uma superexploração do meio ambiente. Alguns aspectos deste fenômeno é a derrubada de florestas para receber gados e lavouras, ameaçando partes dos biomas brasileiros, como o Pantanal, o Cerrado e a Amazônia.
(Fonte: Shutterstock)
O outro aspecto — e não menos importante — é a questão da fome. Dados recentes levantados pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar revelam que cerca de 56% da população do país está em estado de insegurança alimentar, que ocorre quando um indivíduo não possui acesso físico, econômico e social a alimentos que supram minimamente as suas necessidades.
Ou seja, ter uma grande indústria que produza alimentos em escala mundial não significa diminuir a fome dos próprios brasileiros. Uma das questões é que, como esta indústria prioriza o lucro, nem sempre toda esta produção de vegetais significa geração de comida. Dados apontados pelo portal O Joio e o Trigo mostram que 62% da produção de milho do Brasil em 2020 foi destinada à produção de ração. No mesmo período, 60% da produção da soja brasileira foi exportada.
A grande discussão, portanto, não deve ser sobre a importância ou não da existência do agronegócio, mas a reflexão sobre como as suas práticas podem ou não estar beneficiando o país ou se estão se prestando mais à geração de lucros para os próprios empresários.
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